Como sempre, ele estava preparado pra dizer: “Volta pra cá, aqui é o seu lugar e não dá mais pra viver assim”.
Como sempre, ele choraria após o devido “não” que ouviria. Ele, o Estéfano, teve a sua dor diária elevada ao infinito.
Ter a mulher que ama não era só um projeto de vida para ele.
Ter a mulher que ama era a certeza de que seguia o caminho certo.
Uma palavra de quatro letras mudou tudo.
A Rede Social fez mal a ele, e foi em uma dessas que tudo começou.
Inexplicável, inconcebível. Inadmissível.
Um fato. A certeza tem o mesmo peso e importância da incerteza.
Fez mal a Estéfano. Ficou sem dormir, sem comer, sem objetivo. Nada mais o alimentava, sequer o movia.
Não havia mais vida. Havia uma luz escura, muito sozinha, e aquele foco era só o que restava do sol explosivo que povoava aquele território.
O calor deu lugar ao frio. O sonho se liquefez ao bueiro através de suas lágrimas, agora tão densas.
Tudo sumiu. Tudo o confortava, tudo o fazia bem, o fazia respirar. Por aparelhos, enfim. Mas enfim.
Incompreensão, pressa e incerteza. Uma taxa muito alta a ser paga.
O mal que libertou Estéfano o fez morrer.
Epifanicamente, dormiu e visualizou – literalmente – a sua própria pessoa estirada, com todos os presentes que ganhou dela, completamente ensanguentado.
Completa e decididamente agarrado às coisas que ganhou. Morreu por ela.
Não era possível ver a natureza do golpe; Podia ter sido um tiro, ou uma machadada. Não dava pra ver.
Mas deu pra ver onde foi.
Não, não foi no coração. Foi na cabeça, onde o pensamento existe e começa.
Tão fatal quanto salvador, o destino de Estéfano estava traçado há algum tempo.
Morreria ao conhecer as quatro letras.
Ela está viva. Por aí, procurando alguém que será uma vítima de sua ação involuntária.
You may not like it now, but this is how the story ends.














