Por trás da Máscara…

20 Outubro 2008

Um enorme desperdício

Arquivado em: Atualidades e notícias — Slip @ 2:56 pm
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Eloá & Nayara

Eloá & Nayara

A menina Eloá Cristina Rodrigues, de 15 anos, teve a morte cerebral anunciada na noite deste sábado, 18, pelos médicos responsáveis por seu tratamento. Eloá, que ficou mais de 100 horas seqüestrada pelo ex-namorado Lindembergue Alves, de 22 anos, foi baleada na virilha e na cabeça e teve a morte cerebral constatada às 23h30.  Segundo a diretora do Centro Hospitalar Municipal de Santo André, Rosa Maria Aguiar, os primeiros a serem avisados foram os familiares da menina, que estão emocionalmente abalados e aos cuidados da equipe de Psicologia do hospital.

(…)

Policiais do Gate invadiram o apartamento onde Alves, de 22 anos, mantinha Eloá, de 15, refém desde às 13h30 de segunda-feira. A invasão aconteceu às 18h08 de sexta-feira. Lindembergue foi preso e levado por um carro da Polícia Militar ao 6.º Distrito Policial, na Vila Marrey. Eloá, baleada na cabeça e na virilha, foi levada ao Centro Hospitalar de Santo André. Houve um forte barulho de explosão quando a polícia invadiu o apartamento.

Três disparos foram ouvidos no local. Às 18h17 Eloá foi levada do local por uma ambulância. Às 18h18, Nayara foi levada por um carro do SAMU. Os policiais do Gate invadiram o apartamento pela porta do apartamento e por uma janela.

(…)

Na manhã desta sexta, a polícia usou o irmão de Eloá para negociar o fim do seqüestro. Douglas, de 14 anos, foi o negociador para a libertação dos reféns. As negociações estavam travadas desde o fim da manhã de quinta, quando Nayara, amiga de Eloá que havia sido solta na noite de terça, voltou ao apartamento para convencer Lindembergue a soltar a amiga, mas acabou sendo feita refém de novo.

A volta de Nayara ao apartamento teria sido uma exigência do seqüestrador. E a polícia permitiu o retorno da adolescente. “Foi um erro grosseiríssimo”, afirma o coronel da reserva José Vicente da Silva, diretor do Instituto Pró-Polícia e ex-secretário Nacional de Segurança Pública. “Colocar mais um inocente em risco é a última coisa que poderia ser feita.”

Fonte: Estadão.com.br – “Baleada na cabeça, Eloá tem morte cerebral declarada”

Eloá era uma morena gatinha. Daquelas que nós, machos, pensamos, sem o menor pudor: “Isso daí, quando crescer… hmmm…”, e lambemos os próprios beiços. Um enorme desperdício, já que ambas eram muito novas e teriam vida longa pela frente.

  • Eloá morreu aos 15 anos de idade. Isto, por si só, já é chocante o suficiente. Pior é ver que a relação entre os dois começou há cerca de três anos. E aí, Eloá teria 12, enquanto Lindemberg, por sua vez, teria 18. Mesmo em um mundo onde a sexualidade vem se mostrando tão mais precoce a cada dia, me dá asco ver que essa era a premissa.
  • Tenho notícia dos seguintes fatos, no que diz respeito ao reenvio de Nayara ao apartamento onde ocorria o seqüestro: O seqüestrador oscilava nas declarações, ora mostrando que era confiante em um final feliz, ora mostrando frustração e ansiedade em terminar tudo da pior forma possível; Nayara havia estado no apartamento,  e foi liberada. E há também a questão do telefone: Ao que tudo indica, Nayara a princípio negociaria por celular com o seqüestrador ali perto – O que é um absurdo, já que a tecnologia permitiria que o contato se desse em ambiente seguro para a amiga de Eloá; E em outro dado momento anterior, Lindemberg atirou em policiais. Portanto, era puramente perigo o ambiente em que Nayara seria inserida – Pior: novamente. Até certo ponto, juro por Deus que compreendo o fato de Nayara ter entrado novamente na jogada, se esta foi uma exigência do seqüestrador – Ora, ele tinha duas vidas sob controle, o que a polícia poderia fazer? Negar algo a alguém que pode matar inocentes, por conta de uma contestação policial, parece inteligente para você? Contudo, há dúvidas. Citando o G1, A Polícia Militar quis levar Nayara de volta até o local do seqüestro para ajudar nas negociações com Lindemberg”. Então, meus caros, se foi o caso de se tratar de uma medida unilateral, nada feito. Pergunto-me o seguinte: Será que, assim sendo, não seria mais eficaz se a polícia enviasse um familiar de Lindemberg? Falando em familiares, como a polícia pode ordenar qualquer coisa relativa a isso sem a autorização dos pais de Nayara, como diz o G1?
  • Ouvi um especialista na televisão – Confesso que não sei quem é o autor desta citação aproximada, ou em que canal isso ocorreu – dizendo, nesta manhã, que “Se fosse nos Estados Unidos, o seqüestrador seria interceptado por algum atirador de elite”. Na minha modesta opinião, por mais que seja arriscado, deve-se confiar em alguém que treina e possui bom aproveitamento. Em caso de erro, seria muito mais do que perdoável. Na pior das hipóteses, seria menos complicado de engolir do que o envio de Nayara para lá, novamente, se isso realmente foi uma decisão policial…
  • Eu acho muito bom que a polícia não tenha tentado invadir o apartamento, e que portanto o que a advogada de Lindemberg aparentemente defenderá no tribunal – a tese de que “Lindemberg teria atirado nas jovens como resposta a uma repentina invasão policial ao local do crime” – seja invalidado veementemente. A incompetência da polícia, caso contrário, seria tão revoltante, que puta que pariu…
  • Hauahuahauhau! Alguém aí rediscute a pena de morte no Brasil, ao desfecho do caso?

Agora, os policiais enfiam a porrada no criminoso na cadeia, segundo diz a sua advogada de defesa. Eu espero sinceramente que ele apanhe muito. Mas muito, muito mesmo. Não digo que desejo sua morte, porque não é o caso, mas o sofrimento é pouco para quem comete a covardia que vimos; E ainda, contra duas jovens indefesas. Crime passional? Que história é essa? Então, agora pode-se seqüestrar e agredir quando o assunto é o amor? Com certeza há muitas histórias idênticas por aí, e nem por isso a pessoa frustrada comete este tipo de crime. Será que Lindemberg amava mesmo Eloá? Como se atira em alguém que se ama? Será que não foi uma questão de ego satisfeito?

Orgulho?

Desejo força às famílias de Eloá (que descanse em paz), Nayara e – por que não? – Lindemberg. Vão precisar. Ao criminoso, sem desculpas, só posso dizer que sinto muito pelo que sua vida será daqui para a frente. Tá, nem tanto assim.

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