Por trás da Máscara…

22 Setembro 2009

Palavra-chave

CT do Atlético do Paraná

CT do Atlético do Paraná

COMENTÁRIOS LIBERADOS A PARTIR DE HOJE

Todo aquele que acompanha programas esportivos está cansado de ouvir aquele discurso: “O futebol do Rio de Janeiro não tem estrutura, e por isso não disputa título brasileiro pra valer há tanto tempo”. A opinião geral é a de que, sim, se pensar no campeonato brasileiro, a diferença no rendimento entre as equipes estruturadas e as amadoras será mais evidente. Com isso eu concordo. Mas será que o problema é apenas o mal funcionamento do futebol do Rio de Janeiro? “Estrutura” é a palavra-chave?

O São Paulo Futebol Clube é um dos maiores clubes do Brasil, se não for o maior, e também da América Latina. É o mais vitorioso do país, um dos mais respeitados e visados do mundo; É inclusive um modelo quando se abre esse tipo de discussão. Tem um CT (centro de treinamento) que é referência, ganha dinheiro com compra e venda de jogadores, paga em dia, dá “bicho” (dinheiro à mais, à parte) quando chega com chances à reta final das competições que disputa, possui estádio próprio e um grande número de sócios e torcedores. O Internacional de Porto Alegre é mais do que uma referência neste último quesito: São mais de 100 mil contribuintes, e o valor mínimo, segundo o site oficial, é de 20 reais/mês. Se pensar apenas no mensal (porque no primeiro mês o sócio deve pagar mais 20 reais por despesa de confecção e envio do cartão de sócio), todo mês o Internacional lida com pelo menos  2 milhões de reais. São números excelentes, lembrando que certamente esse faturamento não é líquido por conta dos benefícios dados aos sócios, como a rede de descontos em estabelecimentos de compra e afins.

Bom, até aqui eu estou falando não só de dinheiro, como pode perceber, mas de bens.  Torcedor, renda no estádio próprio, dinheiro em caixa e um time disputando títulos são coisas importantes, “suponho”.

O Atlético Paranaense tem o que dizem ser “o maior e melhor CT do Brasil”. Sabidamente não é um clube de ficar atrasando salários, mas o que o Atlético tem disputado de títulos?

O próprio Internacional, como clube enorme que é, o último campeão do mundo em nosso país, não tem disputado mais nada de importante após a campanha de 2006. Sulamericana é torneio que, se você não ganha de forma mágica e absurdamente épica (como o Vasco venceu o Palmeiras com um a menos, em pleno Palestra Itália, em 2000, e virou de 3×0 para 4×3 em um só tempo de jogo), não vale de muito mais do que poucos milhões de dólares – Ou seja, comparado ao valor de um título de libertadores e da visibilidade atingida por este tipo de conquista, não vale de praticamente nada. E estrutura aos colorados é o que não falta. A campanha do Internacional é muito boa no Brasileirão, mas a regularidade é algo que passa longe dos portões do Beira-Rio. E regularidade é chave em um campeonato de pontos corridos.

Por essas coisas, me faço questionar sobre certas verdades “supostas” pelos cronistas esportivos. Eu, Slip, acredito em camisa, por exemplo. Eu acho que um adversário jogará no Morumbi contra o Tricolor Paulista e vai tremer, qualquer que seja a situação. O motivo é simples: a camisa é vencedora e conhecida, há mais holofotes quando o assunto é São Paulo do que quando o assunto é inclusive o Santos, que é o time do Pelé e que há poucos anos revelava Robinho e era campeão brasileiro, mas que possui uma estrutura um pouco melhor do que a média.

E o que dizer do Grêmio, que apesar de ter um bom patrimônio (menos que os vermelhos do Sul, no geral), tem uma torcida que empurra e lota o Olímpico em quase todo domingo? Pois o tricolor gaúcho esteve outro dia na final da Libertadores após ressurgir da série B (Riquelme arregaçou, mas enfim) e tem revelado inúmeros jogadores da mais alta casta do futebol mundial, como Ronaldinho Gaúcho e Anderson (hoje, respectivamente, no Milan e no Manchester United).

Irônico é o que se percebe: Os mesmos cronistas acreditam muito mais no Grêmio para a disputa do Brasileirão, em um clube de estrutura talvez inferior mas de camisa tão grande quanto a do arquirrival do Sul, do que no Internacional. E na hora H, o Grêmio vai forte, mesmo que não vença. Camisa é tudo o que não falta aos tricolores dos pampas.

É claro que é fácil dizer, “Ah, não dá pra tomar nada no futebol como regra”. Essa generalização (ou frase anti-generalização, melhor dizendo) é algo simples de ser feito. Mas eu não entendo bem o porquê de falarem em estrutura no futebol carioca, quando outras coisas são evidentemente parte integrante da realidade triste do Rio de Janeiro. Por que não se fala da mudança de mentalidade necessária, nos torcedores cariocas,  para que não se vaie o jogador que erra uma jogada à torto e à direito, sem o menor critério? Pois pouco importa se é parecido em outros lugares, o fato é que isso só atrapalha. Por que não se critica a falta de humildade do jogador que chega ao Rio de Janeiro que só quer visibilidade para partir então para outros centros, como a Alemanha e o mundo árabe? E isso quando ambos, na minha modesta opinião, são centros futebolisticamente muito inferiores ao Brasil, ao Rio de Janeiro e a qualquer parte do país… Fala sério, né?

Muita coisa é mais importante do que apenas a estrutura. A estrutura é só um dos pilares que dá camisa a um clube. O comportamento da torcida, o número de sócios, a mentalidade do clube e o comprometimento e qualidade do elenco são coisas que interferem diretamente.

Já a estrutura, eu acho que influencia e só. No fim das contas, trata-se de apenas futebol: 11 x 11, nas quatro linhas, disputando quem faz mais gols. O detalhe a que todos os que zelam pelo bom futebol, seja analisando-o como eu, seja praticando como qualquer jogador ou seja indo aos estádios e ajudando a lotá-los, devem ficar atentos, é que enquanto o Rio de Janeiro permanece em declínio em tantas coisas e inclusive no esporte bretão, outros centros se desenvolveram e o monopólio paulista é cada vez mais poderoso e difícil de ser combatido.

Porque outro dia Flamengo e Fluminense estavam entre os 4 primeiros do Brasileirão. E que diabos de estrutura esses dois times têm?

Fica o raciocínio.

30 Setembro 2008

Ao ataque!

Arquivado em: Esportes — Slip @ 12:32 pm
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Tita, ex-técnico do Vasco, falou sobre a situação atual do clube, supostamente respondendo à polêmica sobre os “gordinhos” na Colina. Créditos ao site Netvasco pela postagem da entrevista lançada no Jornal O DIA:

O telefone toca e, do outro lado da linha, Tita faz um desabafo ao ‘Ataque’. A razão da matinal indignação é a polêmica levantada por seu sucessor, Renato Gaúcho, a respeito dos gordinhos do Vasco. Esse é o pontapé inicial de uma entrevista de 46 minutos com quem freqüentou São Januário durante 40 dias, sofrendo com os erros da atual diretoria e a herança maldita deixada pela anterior. O ex-técnico do Vasco abre parte da caixa-preta de um clube em crise, em que, segundo ele, moram jogadores contundidos que jogam pelada por aí, dirigentes inexperientes e um treinador sem ética. Tudo isso sob o olhar e as vaias de um dos filhos de Eurico Miranda.

RENATO GAÚCHO

“O caminho que o Renato escolheu é falar das pessoas que o antecederam. No período em que a Seleção enfrentou o Chile e a Bolívia, o Vasco foi o clube que mais trabalhou. Na estréia do Renato, ele enalteceu a luta. Ora, um time que luta não pode estar gordo. Se eu jogar bola e, em seguida, jantar no Porcão, vou acordar com 1,5 quilo acima do peso. O que se deve levar em conta é o percentual de gordura. E, no Vasco, todos estão dentro do padrão. Essas coisas que o Renato fala não irritam somente os que saíram. Aborrece também as pessoas de outros clubes. O Renato se comporta como uma pessoa que não tem ética. Ele tem essa forma de trabalhar. Chega no clube dizendo que estava tudo errado e, se tirar o Vasco do rebaixamento, vai dizer: ‘Fui eu que fiz isso’. É como uma mulher ir pela primeira vez numa manicure e ouvir a pergunta: ‘Onde você fez essa unha? Está mal-feita. Agora, sim, ficou boa’. A estratégia é criticar o trabalho anterior para depois dizer que o dele foi bom”.

TIME FRACO

“Foi por isso que saí. Está difícil… O elenco é muito pobre de qualidade. O Jorge Luiz falhou em três gols decisivos e continua sendo titular. Como é que um jogador que bota a mão na bola como ele fez (contra o Ipatinga) pode ser titular? Isso acontece por falta de jogadores. No jogo contra o Náutico, ele comprometeu meu trabalho. Foi expulso e 82 por cento das equipes que jogam com um homem a menos perdem a partida”.

PEDIDO DE DEMISSÃO

“A melhor qualidade do treinador é ter o feeling. É ele sentir qual é a situação do momento. Se a gente conseguisse passar pelo Palmeiras, no Parque Antártica, no segundo jogo pela Copa Sul-Americana, o jogador se encheria de confiança. A gente tinha três chances: vencendo, empatando ou perdendo de 1 a 0. Do jeito que foi a derrota, qualquer treinador ficaria de mãos atadas. Apenas deixei a situação livre para o Roberto fazer o que quisesse. Fico triste porque era uma oportunidade de ouro para mim. Mas aquele pacote que está ali não é meu. Aquele pacote é do Eurico. Eu não podia me queimar”.

EURICO MIRANDA

“O ex-presidente Eurico Miranda comandava a Federação do Rio. Onde já se viu um clube ter 15 pênaltis a seu favor numa competição (Campeonato Estadual)? Bastava o Wagner Diniz cair na área e o árbitro marcava pênalti. Quem formou esse time que está aí foi o Eurico, porque se garantia na Federação. Ele escolhia os árbitros”.

EDMUNDO

“O Renato chegou com o preparador físico Alexandre Mendes e já expôs o cara, ao dizer que está acima do peso. Não tive uma vírgula para falar do Edmundo. Eu até lhe dizia que o Vasco não poderia ser rebaixado porque ele, com uma carreira brilhante, não poderia ser o comandante que levaria o time para a Segunda Divisão”.

TROCA DE DIRETORIA

“Isso atrapalhou. No jogo contra o Cruzeiro, por exemplo, o placar estava 0 a 0 e um cara começou a me xingar. Pedi que o preparador físico fosse olhar quem era o cara. Sabe quem era? Era o filho do Eurico, com um segurança”.

ERROS DA DIRETORIA

“A decisão da saída do Morais foi um tremendo erro. Fiquei uma semana pedindo que ele ficasse. O melhor jogador do time, um jogador que passou pela seleção brasileira, vai jogar no Corinthians, na Segunda Divisão, mas o Vasco, que libera ele, não tem nenhum jogador do mesmo nível no elenco!!! Acontece que isso fugiu da minha alçada. Não podiam ter deixado ele sair. Fui contra também a saída do Jean. Vieram me dizer que ele estava com problemas familiares e que a mulher queria tacar fogo no carro dele. Isso era problema dele!!! Ele estava sob contrato!!!!!”

PREOCUPAÇÃO

“Estou muito preocupado com a situação do Roberto Dinamite. Convivi com ele durante 40 dias, nessa minha passagem pelo Vasco. Está cercado de gente bem sucedida em suas vidas. O Olavo Monteiro, o Jorge Salgado, O Osório (José Carlos)… Mas, no futebol, o Roberto está sozinho. Tanto que assumiu agora o comando do futebol. Não sei se as alianças que o Roberto fez vão ajudá-lo. Da última vez em que estive com ele, falei: ‘Você é um ícone no Vasco e tem uma história. Mas vão queimar sua história. O Olavo, o Osório e o Salgado vão continuar com seus negócios. E você vai sair queimado’”.

NECA

“Nem precisa lembrar o nome dele… Acharam que ele, como vice de futebol, ia botar dinheiro no clube. Só que ele não colocou um tostão e só fez besteira”.

DEMISSÕES

“Quando a nova diretoria assumiu, não era necessário demitir tanta gente. Não deviam ter tirado o supervisor Paulo Angioni. Com ele, eu teria proteção. O treinador teria um escudo. Ele orienta o treinador, troca informações e poderia dar informações no processo de sucessão”.

CUCA

“A primeiro declaração do Renato Gaúcho quando chegou no Vasco foi a seguinte: ‘Me boicotaram quando fui técnico do Fluminense’. Ele já saiu de lá, mas está preocupado… Não tenho essa experiência toda, mas até para sair de um clube é preciso ter uma estratégia. O Cuca, depois de um bom trabalho no Botafogo, está jogando tudo por água abaixo. Botou o Santos na zona de rebaixamento, mas achou que ia tirar o Fluminense. Só que o Fluminense continua na zona de rebaixamento”.

ERRO DE RENATO

“Faltam 12 rodadas. Mas como é que num jogo em que o time precisa ganhar o treinador bota jogadores que não jogam há mais de três meses? Tinha que ir botando aos poucos. Será que o Renato achou que o Baiano, o Fernando e o Valmir iam jogar um partidão? O Valmir está no Vasco há três meses, participou de duas partidas, mas não mais do que 30 minutos. Se ele pudesse ajudar, eu teria colocado-o no time. O Vasco perdeu de três do Ipatinga. Era para ter tomado de seis”.

CHINELINHO

“O Wagner Diniz levou um pontapé no jogo contra o Cruzeiro. E já está há um mês no departamento médico. Agora, sai por aí nos noticiários que ele está negociando com o São Paulo. Cadê o profissionalismo? E o Leandro Bomfim? Está há seis meses no departamento médico. Um amigo meu foi jogar uma pelada do Romário e ficou impressionado. ‘Quem é esse cara que joga tanto?’ Era o Leandro Bomfim. Ele não pode jogar pelo Vasco, mas pode participar das peladas do Caça & Pesca, às quartas-feiras. Cadê o supervisor? Cadê o departamento médico?”

PIOR TIME

“Bem, o Vasco é o time que mais perdeu no Campeonato Brasileiro. O time é jovem e não agüenta pressão”.

Bom, essa foi a entrevista. e eu comentarei cada ponto dela mais tarde.

Links:

Netvasco

Site do Jornal O DIA

29 Setembro 2008

Até o inferno

Arquivado em: Esportes — Slip @ 4:51 pm
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Sobre o Ipatinga x Vasco de ontem, a verdade é que eu já desencanei de ficar esperando que o time evolua. Eu encontro algumas razões para que o time não tenha desenvolvido o futebol que esperávamos ao menos para aquele jogo – Que já seria, por si só, inferior ao que nós queremos. Se for para cair, que caia. Se vai ajudar? Talvez sim, talvez não. A verdade é que o clube parece precisar daquilo que – um amigo me disse ser – justamente a série B mais dá, aos times grandes que para ela caem: Resgatar a união do mesmo clube com a sua torcida. Então, se tiver de ser, que seja. Pelo menos não será de todo ruim. Catastrófico para nós? É claro. Mas nem tanto para o clube, que é o que importa para os verdadeiros vascaínos.

Aquele que é considerado por alguns o pior time da história do Vasco da Gama deu vexame ao não jogar nada contra o Ipatinga, que embora viesse fazendo o dever de casa no Ipatingão, ainda é o time que nem sabe o que é ficar longe da zona de rebaixamento. Não tem um décimo das glórias do Vasco, e mesmo assim nós é que fomos os pequenos, mais uma vez. Bom, vou evitar os comentários sobre o jogo por hoje, e só queria dizer que eu só volto a torcer para aquele conjunto de jogadores quando eles me reconquistarem com um bom futebol. Cansei de me enganar. Vou parar de ficar esperando a mesma coisa, toda rodada… “Não, da próxima vez vai…”, “Que nada, na próxima a gente arrebenta…”, e tudo o mais.

Vou ser apedrejado, zoado… Enfim. Eu sou apaixonado pelo meu time e vou com ele até o inferno, assim como comemoro os títulos. Nada posso fazer. Fim de papo.

Se vamos cair? Eu não tenho certeza… E ninguém deve ter. Se depender do Jorge Luiz, sim, vamos cair. Se depender do Tiago, também. Mas não se depender da torcida e dos adversários do Vasco contra o rebaixamento. Então, aos meus irmãos cruzmaltinos, só desejo toda a força do mundo. Vamos precisar, mesmo que a vergonha não seja nossa: Seja deles.

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