Por trás da Máscara…

10 Setembro 2008

These are their stories.

“Law & Order: Special Victims Unit” não é apenas mais um seriado investigativo americano. Este spin-off de Law & Order é diferenciado na teoria, na prática, e em seus mais profundos desdobramentos. A série se iniciou em 1999 e continua até os dias atuais, estando portanto na pré-10ª temporada. Trata-se do dia-a-dia da unidade nova-iorquina de polícia que lida com crimes sexuais: Estupro, pedofilia, incesto, estupro presumido… E assim vai.

In the criminal justice system, sexually based offenses are considered especially heinous. In New York City, the dedicated detectives who investigate these vicious felonies are members of an elite squad known as the Special Victims Unit. These are their stories.

A idéia de lidar com crimes sexuais é inegavelmente ousada. A série não apela para cenas de nudez, ou cenas sexuais mostradas com detalhes que possam ser constrangedores (só lembro de uma única cena do tipo sendo mostrada, e mesmo assim realmente não foi nada demais), mas também não poupa em termos de enredo. As situações que SVU (como a série é chamada popularmente) impõe ao telespectador são de sensibilizar até a sujeirinha da sua unha. Choca mesmo. Eu já vi e ouvi muita coisa em SVU: desde uma mulher que foi quase que totalmente queimada gritando ao ser “lavada” (existe um termo para isso?), até detetives e uma legista comentando de um inchaço na vagina de uma criança – Não, não é pelo fato de ela ser estuprada e, portanto, ferida. Bem pior do que isso… Mas deixa pra lá.

A série conta, hoje, com um elenco interessantíssimo, de pessoas bastante talentosas, que fazem personagens extremamente ricos em constituição. A belíssima Mariska Hargitay, vencedora de Globo de Ouro e Emmy, interpreta Olivia Benson, a detetive inteligente que é capaz de se aproximar das vítimas e, com seu poder agudo de persuasão, obter coisas importantes para cada investigação que as mesmas escondem involuntariamente, por conta de traumas em seus passados. É filha de uma mulher estuprada. O detetive Elliot Stabler, de origem irlandês-americana, é interpretado pelo eficiente e grandalhão Christopher Meloni. O cara é um sem paciência, parece o meu pai. É especialista no combate corpo-a-corpo, em pressionar o criminoso para obter a verdade e, se a sua parceira Olivia tem a habilidade de compreender e interagir livremente com a vítima, Stabler o faz com o criminoso em diversas vezes. Isto é, quando não tortura psicologicamente, é incansável quanto a tentar compreender e absorver os porquês dos atos dos covardes, praticamente se confundindo com eles e simulando fazer parte dos universos macabros de cada um. Embora estes estejam presentes desde o primeiro episódio e sempre em primeiro plano, os nada menos importantes John Munch – o homem culto da delegacia, com suas análises perspicazes das situações e humor negro absoluto: “A única coisa que tenho em comum com o judaísmo é o fato de não trabalhar aos sábados…” – e Odafin “Fin” Tutuola – este com um conhecimento maior das ruas, notavelmente quanto a informantes e habitantes dos guettos americanos – também integram a unidade de vítimas especiais. O líder e capitão Don Cragen é o gênio que guia os policiais e, juntamente do agente do FBI e psiquiatra George Huang – que é mais um a contribuir com a unidade, ao se utilizar de perfis psicológicos e tentativas coerentes de previsão dos atos dos criminosos – é quem dá as cartas, direcionando as ações da equipe. E ainda há Melinda Warner, a legista que sempre dá boas novidades ao grupo quanto a pistas deixadas pelos criminosos.

Em termos de crítica, a série sempre foi muito bem apontada. É a mais bem-sucedida das franquias Lei & Ordem e, pela sua natureza, também possui a característica de sua “série-mãe” de apresentar não só as investigações policiais, mas também as conseqüências na corte, em cada episódio. Para isso, conta com a promotoria (que já foi representada por três pessoas: Diane Neal como Casey Novak, Stephanie March como Alexandra Cabot, e Angie Harmon como Abbie Carmichael), que mais diretamente tenta fazer “o último passe” para que a justiça seja feita pelo júri.

SVU tem um poder incrível, o de não deixar que o espectador tenha um só personagem predileto. Embora o foco seja inegavelmente Liv e El (Olivia Benson e Elliot Stabler, como são apelidados), inclusive fazendo com que alguns fãs exagerados e loucos (hauhauahua! Brincadeira :P ) achem que os dois darão em par romântico, a verdade é que todos os personagens possuem um enorme carisma. Não houve um só episódio, dos vistos por mim, que fosse ruim – E já vi vários, de várias temporadas. Pra mim, esta é a melhor série americana já criada, a mais inteligente, a de mais original identidade.

E o digo com segurança por um só motivo: É algo único, e mais do que recomendado por mim.

A série passa no Universal Channel:

Episódio inédito – Terças, 22h. Alternativo – Domingo, 17h.

Horário normal (temporadas anteriores) – Segunda a Sexta, às 19h, meia-noite e 6h.

Experimentem ver um episódio qualquer, e então me digam o que acharam. Esse post ficará uns dias a mais que o normal em primeiro plano, porque SVU merece.

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