Por trás da Máscara…

08 Agosto 2008

Para fazer virar fã

Arquivado em: Animes — Slip @ 2:36 pm
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Eu confesso que nunca fui exatamente fascinado pelo universo Batman – Ou mesmo pelos mundos provenientes das HQs, sendo uma provável exceção os X-Men… Talvez. Minha limitação como admirador da ficção animada e desenhada originada do mundo oriental é notável, não há como ou por que esconder. Vi os filmes Batman, Batman – O Retorno, Batman Eternamente, Batman & Robin, e bem mais recentemente, Batman Begins; Mas nunca, mesmo, eu cheguei a nutrir qualquer admiração especial pelo morcegão.

Só que, com tanto marketing envolvido no tão falado “Batman: O Cavaleiro das Trevas”, nem mesmo eu escapei da febre e fui levado a assistir, por minha enorme curiosidade, a produção Batman: Gotham Knight (em português, Batman: Cavaleiro de Gotham), que é um vídeo promocional do novo filme. E a minha expectativa tem explicação: trata-se de uma seqüência em animação, com “cara de anime” (desenhos japoneses) e produzida por estúdios nipônicos, de mini-historinhas que, pelo que li por aí, estão situadas entre os filmes Batman Begins e o então Cavaleiro das Trevas. Cada um dos trechos possui traços próprios (talvez, e no máximo, próximos, e só em alguns casos) e um estilo próprio de história – Já que cada um deles possui um diretor diferente.

E não menos importante, quando eu vi que a Madhouse estava no meio dessas produções eu fiquei definitivamente empolgado. Afinal, o estúdio foi o responsável por muitas das animações que eu mais aprecio: Monster, Death Note, Hajime no Ippo, Claymore… Além da Madhouse e seu padrão de qualidade, outros três grandes nomes se envolveram na série. O Studio 4ºC, por exemplo, é quem está por trás de Animatrix, Memories (filme animado de 1995) e do clipe “Breaking the Habit” do Linkin Park. Temos o Bee Train, responsável por Tsubasa Chronicle, Wild Arms: Twilight Venom e El Cazador de la Bruja. E o Production I.G. é o responsável por ainda mais petardos, como Ghost in The Shell; Tsubasa: Tokyo Revelations; Ghost Hound (um esculacho de animação); xxxHolic; The King Of Fighters: Another Day… Legal, né? Foi impossível que eu não tentasse me envolver.

Voltando ao Gotham Knight, aqui vai um resumo sem spoilerzões a respeito de cada historinha – São seis, no total:

Have I Got a Story for You (em português, “Eu tenho uma história pra vocês”, animado pelo Studio 4ºC), que basicamente lida com a impressão das pessoas sobre quem é Batman e sobre como o morcegão se apresenta para as pessoas. A história foi escrita por Josh Olson, que também adaptou a Graphic Novel “Uma História de Violência” pros cinemas.

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Crossfire (“Fogo Cruzado”, animado pelo Production I.G), que traz à tona a discussão sobre se Batman é uma unanimidade em Gotham. E o legal é que Crossfire é o primeiro enredo em Gotham Knight a trazer o Detetive Crispus Allen como personagem, o mesmo que nas HQs se tornaria o hospedeiro do Espectro, outra estrela da DC Comics. Esta historinha foi escrita por Greg Rucka, autor de HQs e Graphic Novels diversas.

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Field Test (“Teste de campo”, pelo Bee Train), que lida com a tecnologia usada por Batman e seu impacto nos serviços do super herói. A historinha tem um traço muito único de animes (ao meu ver, mais do que as outras histórias em Gotham Knight), e tem Jordan Goldberg como escritor.

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In Darkness Dwells (“Na Escuridão Reside”, pelo estúdio Madhouse), que também conta com a participação de Crispus Allen, além da aparição do Killer Croc – O Crocodilo, no Brasil, vilão conhecido das HQs de Batman – e Jonathan Crane sob a forma do Espantalho (Scarecrow), que também é um dos clássicos inimigos do homem-morcego e dispensa apresentações. Esta tem um pouco mais de ação, e enfoca a astúcia de Wayne. A história foi escrita por David S. Goyer, um dos idealizadores do próprio filme “Batman: O Cavaleiro das Trevas”, e o escritor do filme “Blade” – Sim, aquele mesmo do Wesley Snipes, a adaptação da série da Marvel. Curiosidade: a oscilação do sintetizador sobre a voz de Crane é muito alta, e pude ouvir a voz dele sem muitos ruídos em dado momento; hauhauahua, que voz histérica que escolheram pro Espantalho! Berros hilários.

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Working Through Pain (“Superando a dor”, pelo Studio 4ºC) é o de enredo mais carregado, realmente um primor. Como sugere a minha tradução livre do seu título, a história mostra um pouco da iniciativa de Wayne como alguém que deve enfrentar a dor em certas situações. Ela é de autoria de Brian Azzarello, um autor americano de HQs.

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Deadshot (“Pistoleiro”, pelo estúdio Madhouse) também possui um pouco mais de ação e tem uma cara mais hollywoodiana no que diz respeito ao tipo de história em relação aos outros títulos de Gotham Knight. Como diz o título, a historinha traz o PistoleiroDeadshot, outro vilão clássico do morcegão – tentando assassinar Gordon, o tenente que costuma ajudar Batman nas variadas histórias do mesmo. Deadshot tem a autoria de Alan Burnett, que trabalhou em “The Smurfs” e em “Batman: Animation Series“.

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A minha avaliação geral é a de que a mistura de visual japonês com a mentalidade americana é um grande negócio quanto a Batman. Isso ficou provado e agora é incontestável pra mim. Comecei dizendo que sou alheio ao universo do homem-morcego e, por causa basicamente desse título, me interessei verdadeiramente pela DC e por seus feitos. Somente após ver o Cavaleiro de Gotham é que tive empolgação para ver Batman Begins, por exemplo; E fui inspirado para conhecer Watchmen, dadas as excelentes referências sobre tal obra e sobre a importância de seu autor, Alan Moore.

O conceito de multi-historinhas também é algo que me interessa. Sou fã de The Twilight Zone e me agrada o fato de contos serem curtos e terem início, meio e fim definidos – Ainda que nem sempre explícitos. Mais do que a comparação com as séries de TV ser impossível, a verdade é que foi atingido um outro patamar através desta produção quanto a mesma ser atraente, quanto a despertar curiosidade por conta da multiplicidade de mini-universos. E tal curiosidade tende a ser bem sanada, principalmente porque são vários Batmans diferentes, com boa variação temática, e então buscando sempre atingir a um conjunto maior de gostos.

A aparição de um vilão famoso e complexo como o próprio Coringa sequer se fez necessária, por exemplo. In Darkness Dwells está no mesmo nível de todas as outras histórias, mesmo que nela Batman enfrente, de uma vez só, o Espantalho e o Crocodilo. O paradoxo de uma produção com fins lucrativos, e inclusive promocionais sobre outra obra maior, se mostra interessante nesse contexto porque a obra por si só possui valor. Nunca foi necessário apelar em Cavaleiro de Gotham. Não há cenas de sexo, violência ou qualquer coisa muito extrema a nível visual. Violenta é a qualidade do que se vê.

Batman: Gotham Knight é pra fazer virar fã… Pra dizer o mínimo.

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